Friday, December 6, 2013

the little differences

Não vou começar a dissertar sobre Royale with cheese, mas é dentro desse espírito, sim, devo confessar. Pequenos detalhes, aqui e ali, que vou observando e que, obviamente, julgamos sempre perante o nosso referencial, aka, a nossa cultura, esse grande saco que temos às nossas costas, onde pomos tudo que experimentamos e vivemos. O meu saco encheu-se de coisas portuguesas durante 32 anos, pelo que só passados 32 anos "cá fora" é que já nada vai parecer estranho. Até lá... aqui vão umas quantas que me lembrei:

- Chegar a casa de alguém (e vice versa) e tirar os sapatos. Vai-se a uma festa, toda bonita, sapatinho a fazer pendant... não adianta, que quando se chega a casa de alguém, eles saem. Patrões, crianças, colegas, estranhos, melhores amigos do mundo... sapato nenhum entra num lar finlandês. Na Holanda também é assim, mas acho que é mais flexível e depende da pessoa. Aqui é tudo eito! Talvez pelo facto de os sapatos serem a maior parte do tempo botifarras e terem de lidar com outros "animais". Eu gosto, porque sempre achei que andar de sapatos em casa é muito insalubre. Eu hoje vou a casa de um vizinho, acho que nem sequer me vou calçar... vou de chinelos! Olhó estilo!

- Pendurar o casaco à entrada de todo o sítio: Obrigatório. Isto é, quer queiras quer não queiras, vais gastar 2€ (ou mais) sempre! Parece que é uma medida de segurança o facto de os casacos estarem todos juntos num sítio. Não compreendo muito bem porquê, o único cenário que consigo imaginar é haver um fogo e os casacos que estavam nas cadeiras das pessoas entrelaçarem-se nas pernas e impedir a fuga e serem daqueles materiais muito inflamáveis, cheios de enchimento, que faz uma chama linda e contribui para o fogo. Será que isto é suficiente para fazer uma lei? E porquê só aqui? Há casacos em todo o lado, suponho... Ou é simplesmente mais uma regra de oiro criada pela sociedades consumista e afinal, é sempre mais uma pataca que o mexilhão tem de pagar? Eu inclino-me para a segunda...

- O quanto cedo tudo se passa. Horários de trabalho, refeições, eventos... é tudo de "madrugada". O trabalho, ainda vá que não vá, entras cedo, sais cedo, podes ainda fazer alguma coisa. Mas agora, almoçar às 11:30, jantar às 18:00? Concertos/teatros a começar às 7:00 p.m.? O que não é mau, pois se for durante a semana o teu dia seguinte de trabalho não vai estar em risco. Ou se preferires, 10 da noite é uma boa hora para ir beber um copito. É bom... mas difícil de interiorizar.  Contudo, na Holanda onde vivi (não é Amsterdão), as lojas tinham horários que tornavam o dia-a-dia complicado: tudo fechava às 5. E só um domingo por mês é que as coisas abriam. Na Finlândia, os horários das lojas não são tão restritos. Mas nada bate os nosso centros comerciais a fechar à meia-noite, todo o santo dia. Temos assim tanto dinheiro para gastar? Até parece...

Há mais, muito mais. Mas estas foram as que me lembrei quando ontem saí de um concerto às 9:15 p.m. Esta é a hora que qualquer coisa começa em Portugal.

2 comments:

Anonymous said...

Bom,afinal de contas,são tudo coisas diferentes mas... boas!!!tirando o ter de pagar 2 euritos por "pendurar" o casaco,só vejo benefícios!

Sara Gomes said...

É engraçado, também saí de Portugal aos 32 anos. deve ser tipo uma idade limite para a pachorra :P. 32 anos, já estou velha demais para isto, vou-me embora!

Quanto à diferença nos horários pode ter a ver com o facto de escurecer mais cedo por aí, pelo menos em certas alturas do ano. Ou com o frio. E tudo isso estar relacionado com questões culturais que entretanto foram perdurando pelo tempo.