Friday, November 30, 2012

pázinha e ancinho

Em alusão aos nossos brinquedos de praia... lembram-se? Um baldinho, com uma rede, onde tinha 1 buraquinho em cada lado para se enfiar a pázinha e o ancinho, não era? 
Pois aqui, um baldinho desses em ponto grande é de facto quase um kit SOS que todos devíamos ter se queremos andar na rua.

Um nevão fustiga Helsínquia, que deixou as ruas rapidamente intransitáveis. Para quem tem de andar de carro, digo-vos que é uma tarefa quase hercúlea:
* entrar no carro: requer fazer uma escavaçãozinha para conseguir abrir a porta. 
* para o mover: a pázinha aqui é muito bem vinda e toca a tirar a neve à volta do carro, rodas, à frente, atrás e já agora, do caminho.
* durante a circulação: conduzir na neve requer nervos de aço! Ainda não o fiz mas não me parece lá grande espingarda...
* estacionar: chega-se ao destino. Encontra-se um lugar... mas está cheio de neve: sai-se do carro, 4 piscas, toca a escavar a neve do lugar para se meter o carro, para este ficar coberto de neve e o ciclo repete-se.

Concluo, e muito bem, que vai ser necessário toda uma restruturação da nossa mentalidade "sulista" para nos adaptarmos a viver nestes países. Não estamos habituados a esta trabalheira toda só para sair à rua!
A quantidade de roupa e acessórios necessários envolvidos na vivência diária num inverno destes é estonteante: camadas de roupa, meias/collants, casacos grossos/impermeáveis, luvas/barrete/cachecol/tapa-orelhas, botas feiosas mas impermeáveis + sapatos/roupa extra para se vestir no trabalho. Todo um strip e mudanças são feitas quando se chega ao destino.
 
Andar na rua é difícil e andar pelas lojas também. Pois devida à quantidade industrial de roupa, quando se entra em qualquer lado, a temperatura encontra-se boa para andar mas é de t-shirt. Toca a tirar tudo! Ok, não se comprou nada, vamos ver a outra loja... Toca a vestir tudo outra vez! Entretanto fica-se um bocadinho suada. Já na rua, leva-se com o fresquinho pela cara molhada, o que é óptimo! NOT!

Tudo muito complicado, muita logística, pouca mobilidade, e para não falar do elevadíssimo risco de partir uma perna quando menos se espera.

Não tirei fotos pois estava ocupada a ver onde punha os pés, mas deixo-vos aqui um link para o jornal local, onde podem ter um cheirinho do espectáculo que aqui se vive. Ondas de 9.4m aqui no canal em frente. Quem for à Estónia, vai vomitar, ai pois vai!! E no canto superior direito podem ver as temperaturas :) Está fresquinhooooo!
And its only the beginning... 

(Um videozinho aqui)

Wednesday, November 21, 2012

O rato já pariu a montanha

A maratona culinária terminou. Mas custou muito. 
Como boas portuguesas, gostamos de tudo fresquinho pelo que foi tudo feito de véspera e no dia.

Ora a malta trabalha. Após andar a fazer 10h de trabalho diariamente para garantir que às 4:00 da tarde de sexta podia sair com tudo feito (e foi uma semana muuuuiiito complicada), o que me apetecia mais era ficar a fazer comer até às 4 da manhã. Claro que não! O que me apetecia MESMO era: fazer comer até às 4 da manhã + dormir 3 horas + fritar rissóis/pastéis de bacalhau e cozinhar ainda mais (e lavar loiça e encardir a casa e o fogão).
Pois então estava nas 7 quintas, pois foi mesmo isso que aconteceu! 

Fiquei de "castigo" em casa, enquanto o resto da malta estava a montar a barraca. Quando cheguei com as últimas comidinhas, já tinha passado a enchente de pessoas, já estava acabar o comer todo e já não havia muito para fazer. Ainda fui graciada pela visita de uns colegas do trabalho e como nas tascas, fiquei encostada ao balcão na palheta. Os membros da comunidade portuguesa que participamos também deram muito apoio, divulgaram, apareceram e ficaram por ali na conversa. Por umas horas, aquele cantinho do centro comercial foi português. 

Não houve reclamações, antes pelo contrário. Para além da excelente comidinha, as "empregadas de balcão" eram uma simpatia! E giras!

E é para repetir?
Como o título sugere, este parto não foi fácil! Começámos com a ideia de uma mesa no jardim a vender uns tupperwares com umas coisinhas e acabámos com um stand, com 3 mesas e toldo num centro comercial onde se paga 1000€ pelo mesmo espaço (numa sitação normal). O menú também foi crescendo, a logística foi difícil, muitos pormenores para se pensar. De minha parte, dispensava a maratona culinária... 
Respondendo à pergunta: Sim, mas... noutras condições. Pensaria melhor no menú, talvez escolher 3-5 pratos, simples, que se comam bem de um dia para o outro e fazer mais quantidade. Já deu para ver que as pessoas pagam por isso, era chular a malta! eheheh
Ah, e fazer a coisa no Verão, num jardim perto de mim.

Deixo-vos aqui umas fotinhas. 

muita gente... e eu em casa.... :(
só coisinhas boas!
café Delta, para eles saberem o que é bom!

aquelas queijadinhas foi eu que fiz com estas mãos!

That's fucking team work! - SMILE!! já viram os crachás giríssimos que temos?
zooming out... para a posteridade!



Thursday, November 15, 2012

avaliação: F

Há 2 anos atrás, estava a ver um concerto de Tindersticks.

Há 1 ano atrás, estava no coro a ensair o Requiem de Verdi e a iniciar as aulas de canto.

Este ano... estou a fritar pastéis de bacalhau....

Improvement much? 

Claro que sim, estava a brincar! 

Também vou fritar rissóis!! Olarila!  

Wednesday, November 14, 2012

Restaurant day -17 Nov 2012

Busy bee.... bzzzz bzzzzz bzzzz

Restaurant day é uma coisa que fiquei a conhecer em Maio. É um evento internacional, mas aparentemente não existe em Portugal. O que é estranho, pois o que é preciso é bom tempo, boa comida e vontade de ganhar uns trocos, tudo coisas que abundam no nosso país. Mas deve ser por dar trabalho e isso é que não!
Então é assim: 4 vezes por ano, a câmara deixa que toda e qualquer pessoa monte uma barraca na rua (melhor nos parques e outros sítios bonitos e agradáveis) e venda qualquer tipo de comida, feita em casa, com carinho e amor.  A ASAE nesse dia fecha os olhos...

Em Maio percorremos as ruas a descobrir o que se come aqui. Não havia nada de extraordinário e tudo caro. Fiquei com fome. E pensei logo: olha só o sucesso que uma barraca de bifanas e pregos aqui não fazia! Carne temperada, com sabor... caiam para o lado! 

Estava a contar isto às minha portuguesinhas, à Sandra Elizabete e à Paula Alexandra, e elas ficaram com um brilhozinho nos olhos! Não pelas bifanas, mas pelo conceito em si. 

Então o trio Odemira iniciou uma cruzada: Fazer uma barraca de comida portuguesa no próximo dia dos restaurantes (Ravintolapäivä, em Helsínquia). 
Pois que agora é Novembro e está um frio do caraças, pedinchámos e pedinchámos e lá nos deixaram montar a barraca num centro comercial, de borla, com electricidade e mesas e ao pé de uma entrada do Metro e dos autocarros. Vivó luxo! Melhor é impossível.
Somos os "Sunshine Flavours" e com a ajuda de uma nortenha com boa mão culinária (é um pleonasmo, eu sei), vamos mostrar a esta gente o que é bom. O objectivo final é eles gostarem tanto que têm de ir fazer férias a Portugal e ajudamos assim Portugal a sair da crise. Não é bonito?? Tudo para vocês! :D


Cantinas são e serão uma bosta

NÃO SE FAZ "RIZZOTO" NUMA CANTINA! Arroz espapaçado não é um sinónimo de Rizzoto em terra nenhuma! Não se faz e pronto! 

Sunday, November 11, 2012

Direita, direita... não vira!

Há cerca de 2 semana, houve as eleições autárquicas na Finlândia. Um dos partidos na corrida era o denominado "True Finns", os verdadeiros finlandeses que, como o nome denuncia, é um partido de direita.
Do resultado das eleições veio a notícia que este partido teve cerca de 15% dos votos. Nada de espantar, perfeitamente em linha com o se passa por toda a europa. 

Embora não haja espanto, há de certeza um bocadinho de terror que nos passa pela cabeça "E se a tendência permanecer? Onde vamos estar daqui a uns anos?".
Ser-se emigrante no meio desta realidade está a tornar-se complicado. Mais e mais dificuldades estão a ser criadas para quem tem de fazer a vida noutro país. E o mais cómico-trágico da história, é esta hipócrisia da definição da "Europa", da livre circulação de bens e pessoas... O tanas! Isso não existe, ninguém quer que exista e fazem o possível para atirar areia para a engrenagem. 

Seguem-se uns exemplos:
- As matrículas dos carros não têm a mesma medida. Ao trocá-las, foi necessário fazer uns buraquinhos extras na saia do carro... Ora, expliquem lá porquê? 

- Para se ter um contracto de TV/Net/Telefone, alguém que chegue a esta terra tem de pagar um depósito de 300€ ou 500€ (depende da operadora) POR SERVIÇO, que nos é devolvido ao fim de 1 ano. Para não se pagar isto, teríamos de viver cá durante 2 anos, para eles poderem analisar o nosso crédito e/ou registo criminal... (sei lá!). Isto é "europeu" onde?

- Uma pessoa para dar sangue tem de ter um cartão de identificação finlandês. Ora eu e os meus não têm, pois estou afecta a um regime especial. Tenho um cartão do ministério dos negócios estrangeiros e um papel da câmara como moro aqui. 
Esses cartões/papéis não servem, os nossos BI de Portugal também não... E não aceitaram o sangue que se queria DOAR PARA SALVAR VIDAS DE FINLANDESES!! Isto é coisa de gente boa da tola??

- Já na Holanda, não me deixaram abrir uma conta num banco quando lá cheguei por eu não ter contracto de trabalho. Tinha dinheiro para lá pôr, mas não era dinheiro "holandês"... deve ter sido isso...

Isto é só que me salta na cabeça agora assim de repente, mas aposto que no dia-a-dia devo ver e reconhecer mais situações do estado da nossa "Europa".

Com partidos fascistas a dar bitaites nos governos... talvez voltemos ao feudalismo daqui a uns anos. :P

Cicle of poo.

Saturday, November 3, 2012

ópera para que vos quero

Acorda-se um dia e pensa-se: Hoje vou pegar numa ópera, mundialmente conhecida, que já esteja bem embuída na mente das pessoas devido a esta existir já há umas centenas boas de anos e vou traduzir da sua língua original, o alemão, para outra igualmente musical: o Finlandês.

Não ficaram excitados? Pois, eu também não.

Deve ser da latitude e do ar rarefeito desta terra, que ocorrem estas belas ideias de merda. Aconteceu, é verdade, eu estava lá e vi: A flauta mágica, de Mozart, em Finlandês. 

A sala da ópera de Helsínquia não é uma sala de ópera como se espera, um edifício antigo, com tectos trabalhados, a cheirar a velho e usado. Não. É um edíficio moderno, com uma acústica espectacular, com um palco modernaço, cheio de alavancas e mecanismos que permitem mudar de cenário num abrir e fechar de olhos. 
Deixem-me esclarecer que o espectáculo em si foi muito bom. Os cenários, o guarda roupa, a caracterização, mesmo os cantores notava-se que eram esforçadinhos e não uns rasga-a-manta quaisquer. A sala não era bonita mas era práctica: andares com cadeiras para uma pessoa ver e ouvir com condições. É o que se pretende. 

Para ajudar na compreensão da peça, existia ainda legendas em finlandês, sueco e inglês. 

Então porque é que me estou a queixar? Porque não se ASSASSINA assim uma obra prima! É o que foi escrito pelo autor e é assim que deve permanecer! PONTO! Também não percebo o que eles dizem em alemão... certo, mas reconheço os sons, e não soa bem quando se traduz. É errado! PAREM COM ISSO!

Para a próxima tenho que ler bem as letras pequeninas.

uma viola, lá lá lá

O piano é muito bonito mas não é nada portátil e isso sempre me arreliou. 
Por outro lado, não percebo nem nunca consegui aprender a tocar cordas. Tentaram-me explicar, faz tudo muito sentido... mas não vai.
Numa esperança de me ocupar e conhecer mais pessoas, em Agosto inscrevi-me na Academia Sibelius, o conservatório de cá, para ser a cobaia de um aluno aspirante a professor. Assim, o rapazinho pode fazer as cadeiras pedagógicas e eu aprendo um instrumento, sem ter de gramar com aulas de solfejos e educação musical. 
Inscrevi-me para 3 dos 4 naipes de cordas da orquestra. O contrabaixo sofre do mesmo mal do piano por isso ficou de fora.
Quem ganhou foi a viola, a prima com catarro de fumador e alcoólica, do violino. Ou seja, é a mesma coisa mas tem uma janela de tons mais graves.  

Dia 1 de Novembro, entrei na Academia para a minha primeira aula de viola. Aprendi a segurar no instrumento (não se toca na caixa, só no braço), a colocá-lo na maneira correcta no meu ombro, a segurar no arco, a dedilhar e como os meus braços devem estar... 

Saí de lá com uma viola debaixo do braço. 
Embora só tenham meu um formulário on-line, passaram-me assim um instrumento para as mãos. Extraordinário!

Se fosse uma boa portuguesa, já tinha vendido aquilo às peças! 

já em casa, fazendo o tpc

Friday, November 2, 2012

Halloween 2012

And the crowd goes wild... No, it doesn't. 
Há uma série de anos que não me mascaro. Não tenho jeito para me pintar, não tenho espírito de actriz e entrar na personagem e, at last but not the least, não tenho pachorra. 
Este ano, fui arrastada motivada contagiada pelas minhas novas amigas portuguesas-exiladas-na-finlândia para nos mascararmos. É practimente só uma desculpa para nos juntarmos e sairmo: OK, aceito. 
Cá em casa decidiu-se fazer um social statement: Padre católico e criança. E não, não se benzeu ninguém. 

A noite de 26 de Outubro (Halloween adiantado!) iniciou-se com um jantarzinho e as hostilidades começaram:

ainda com "bom" aspecto...
what's all this then?
vinde a mim, criancinha!!!
todos
ao fresquinho, uns -5ºC, à espera para entrar na disco..
 E agora devem passar outros bons aninhos até este equinócio voltar a acontecer.

Thursday, November 1, 2012

Fui ali, já vim nr 1

Inicio aqui uma rúbrica: as escapadelas. Daí o número 1, pois vão ser mais que muitas e assim facilita a vossa compreensão. A próxima vai ser a "2".
Já disse e reitero: não é por estar emigrada que todo e qualquer dia de férias que tenho direito deverei passá-lo em Portugal. Não. Contudo, para o ano vou a Portugal no verão porque tenho saudades e porque quero, não porque tem de ser. Estão a perceber a diferença? Óptimo.
Já com algumas viagens marcadas e outras tantas planeadas para 2013, esta rubrica começa então com o destino: COPENHAGA, Dinamarca.
Porquê Copenhaga?! Estavam vôos em promoção na Finnair. Por isso.
E também porque não conhecia e é já ali! 
Montámo-nos no avião numa sexta e lá fomos para a terra dos Marmaduques (Grand Danois). Não vi nenhum e foi desapontante...
Vi foi muitas outras coisas, muito mais giras! E podiam ter sido muito melhor, se não estivesse um tempo do cócó e se eu não estivesse tão podre de velha, gasta e usada. Mas mesmo assim, fartámo-nos de andar e de ver coisinhas bonitas. Querem pormenores e recomendações? Aqui vão:

* A cidade tinha obras por todo o lado. Por um lado demonstra cuidado na manutenção, por outro, torna-a feia, desorganizada e barulhenta. 

* O nosso hostel estava muito bem situado, pelo que fomos e viémos das atracções turísticas a butes.  Recomenda-se. 

* Vão ao posto de informação. Há muita coisa e é tudo de borliú. 

* Toda a cidade com um fio de água pelo meio ganha piada. E um passeio de barco é sempre um must. 

* Não recomendo a compra do cartão "Copenhaga", só se ficarem longe do centro e necessitarem de transportes. Os museus ou são gratuitos ou têm um dia da semana cuja a entrada é à borla. Se pesquisarem isso de antemão e planearem os percurso, a coisa sai em conta.

* Os restaurantes e cafés e afins abundam. Muita cozinha internacional mas umas quantas pérolas de comidinha local que tivémos a sorte de descobrir. 
Aconselho o "La glace" para enfardarem boa pastelaria: os danish e não só! É a Brasileira em Lisboa e a Mimosa no Montijo... mas melhor! 
Para as sandes abertas que eles lá comem, o Smørrebrød, recomenda-se vivamente o restaurante Schønnemann. Porções generosas de "recheio", nomeadamente de arenque, acompanhado por Snaps. Diz-se que o arenque deve ficar a nadar no nosso estomâgo, no tal Snaps... Crazy people! ;) 

* É tudo muito acessível. Embora seja uma capital nórdica, os preços não são tão extraordinariamente estúpidos. Contudo, tenham em conta que eu moro na Finlândia e que todo o resto do mundo é, para mim agora, mais barato!

Moral da história:  se poderem passar por Copenhaga, passem que vão gostar. Quando se pensa em "Europa"... É Copenhaga.
torres e estátuas... é a nossa Europa cheia de história.

espaços verdes com fartura

Kastellet

Kastellet e uma igreja

Museu de arte

Pequeno-almoço no La Glace
Sun chariot,  no museu de arqueologia: GRÁTIS SEMPRE!

jardim interior da Ny Carlsberg Glyptoteket

fantástica colecção, a desse senhor Carlesberg

a foto do postal: Ny Havn

no topo da Rundetaarn, um sistema solar com o sol no centro... Blasfémia!

a vista da torre, que servia de observatório. Foi onde o senhor Tycho Brahe se inspirou para escrever a sua teoria
a famosa sereia
tinha um ar tristonho... toma lá uma beijoca!


a câmara municipal