Thursday, September 13, 2012

Arte finlandesa: uma introdução em lá sustenido

Eu, que sou muito dada a museus (gosto, o que querem que faça?!), ainda não fui a muitos aqui. Devo estar a guardar-me para o inverno...
Aproveitando o cartão Helsínquia de quando a minha mãe cá esteve, acabei por ir visitar o museu do Design (caso não saibam, Helsínquia é a capital do design 2012) assim como o museu de arte moderna - Kiasma.
A semana passada fui ver uma exposição da Georgia O'Keefe, tirando partido do facto de nas primeiras sextas feiras de cada mês a entrada é gratuita! MUAHAHAH! Eu sou tããããão tuga, que não consegui resistir. 
Hoje, fui ao Ateneum ver uma exposição que já andava debaixo de olho a algum tempo. O meu rico trabalhinho organizou uma "excursão", onde incluia uma visita guiada e então, olha! Lá fui eu!
O edifício em si é lindíssimo e lá dentro tinha uma exposição de uma das mais relevantes pintoras finlandesas, que de certeza, nunca ninguém ouviu falar: Helene Schejerfbeck (rings a bell to anyone?)

Mesmo vindo desta terra árida e passado grande parte da sua vida vivendo com a mãezinha, numa terrinha desinteressante, a 30 Km daqui sem cá pôr os cotos durante 15 anos(!), a senhora tinha uma pintura muito interessante. Ajudou o facto de ter guia pois esclareceu muita coisa e chamou a atenção para pormenores pertinents que nos fazem olhar para a peça logo com outros olhos. 
Ateneum art museum,Helsinki
oh pra ela!
Embora as peças mais "conhecidas" dela tenham um traço pouco ambicioso e nada de muito relevante, é um facto que a senhora sabia desenhar lindamente, pois há um período da vida dela (18-19 anos de idade), de quando ela este em Paris a estudar, em que põe qualquer renascentista e retratista num canto! The woman can paint!! Mas depois ficou preguiçosa e dedicou-se a explorar arte do "não é preciso muita tinta para se criar um bom quadro". Com razão. Tudo muito expressivo e até perturbador, mas ao mesmo tempo pacífico... 

Self portrait with palette (1937)
A história deste é simples e eu gostei. É um auto-retrato. A cara dela diz tudo :) Estão a ver os pequenos apontamentos de cor em baixo? Isso será a tal "paleta". Não se nota bem, mas no lado direito está um caganito de vermelho. Segundo ela, representa o amor que teve durante a vida (não muito), enquanto que o branco foi a sua satisfação pessoal, completamente preenchida e a fazer o que ela gostava (daí o generoso montinho branco). As outras cores não sei. Mas assim, com este pequeno pormenor, se resume uma vida. 
Ela morreu na Suécia, com 84 anos, e continuou a pintar até bem perto da sua morte.

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