Saturday, March 17, 2012

Vou ter saudades?

Da Holanda? Vou? Talvez não seja bem saudade que vou sentir. É um país muito diferente do nosso, sem dúvida, e algumas diferenças são agradáveis. 
Acho esta terra muito organizada, os arruamentos, os bairros, os canais entremeados... tudo em linhas rectas, lógico e com aspecto arrumado, verde, fértil, aproveitado.
As flores. Por todo o lado. A "erva daninha" daqui são os narcisos, amarelinhos, nos separadores das estradas, nos parques industriais... é ver-se pontinhos amarelos por todo o lado. E a explosão de cores que vai começar a aparecer agora, na zona de Leiden, com os infinitos campos de túlipas a desabrochar. 

A planura. flat flat flat. Até perder de vista... 

A língua. Embora uma verdadeira merda, aqui a je até já passou a 80% do curso estatal, até já compreende e é compreendida em algumas coisas. Um achievement! tap-tap nas costas para mim. 
Vou ter saudades de ouvir "chongayongayonga" (não faço a mínima ideia de como se escreve, mas quer dizer tipo 'Oh minha nossa senhora que já me lixaram' ou simplesmente 'foda-se'). Uma bela onomantopeia! O "graag gedaan", que se lê "rerárredan", muito érre que arranha a garganta, vindo cá do fundinho, feio de se ouvir e que apenas quer dizer "de nada"!
Finlandês é de facto mais agradável ao ouvido mas é completamente chinês! Não há palavra nenhuma que reconheça, com base no latim ou nas línguas germânicas... nada! zero! nicles! batatóides!

As bicicletas e os seus caminhos. Acho que se pode dar a volta à Holanda por um caminho exclusivo de bicicleta. Bem sinalizado, bons pisos, bem mantido, seguro, tornando a tarefa de andar de bicla neste país um prazer (tirando o tempo merdoso)!

A sovinice, o lado prático, nada snob, dos holandeses. São uns bacanos, uns fixes, está sempre tudo bem com eles. Talvez levam isso a um extremo não muito saudável nos dias que correm... mas vão ter de descobrir isso por eles próprios. Não fiz muitos amigos aqui, assim como também não os fiz em Portugal, pelo simples facto de eu ser eu. Mas não me posso queixar. Tive bom ambiente de trabalho, consegui eventualmente separar o trigo do joio e ficar apenas com as pérolas. E levo comigo umas quantas. Só por isso, já valeu a pena ter vindo aqui parar.

O facto de estar no meio da europa. De estar a horinhas de imensas cidades espectaculares. Tirei algum partido, sim senhora, mas ainda faltam taaaannnntttaaassss... 

Saudade? Não, nostalgia. Pois foi o meu primeiro destino fora de Portugal. Longe do meu conforto, onde tudo me era estranho e incompreensível. Onde cheguei de malas de cartão e vontade de trabalhar.  Onde me deram A oportunidade, aproveitei-a e brilhei. Consegui. Foi uma história de sucesso. 
Agora é mudar a página e continuar. O cenário é diferente, mas o final será o mesmo. 


1 comment:

Julia said...

Força, mulher de coragem! Obrigada pelo blog, é excelente. Bjs, Julia