Sunday, August 14, 2011

o paraíso desaparecido


A Holanda era, até há pouco tempo, um país que todos respeitavam, por ser tão prá-frentex tanto a nível da liberdade de expressão como da mui infame legalização de drogas. É um país que não aparece muito nas notícias internacionais, onde o desemprego mantém taxas baixas, o salário é cerca de 30% superior ao da média europeia... tudo parece bonito. 
Foi esse o peixe que me venderam para vir para aqui. Para além de ter o maior porto da europa e de não faltar indústria química aqui à volta. Caso não saibam, foi por isso que vim aterrar em Roterdão. 
Toda essa nuvem cor-de-rosa está a desaparecer. Estes tipos estão a dar passos para trás com gente grande, de cavalo para burro, big time! 
Estão a tornar-se muito nacionalistas roçando o fascismo. Um partido que se auto-designa "anti-muçulmano" faz parte do governo (Geert Wilders diz-vos alguma coisa?). Num país crescido onde se quer o estado separado da igreja (que era), uma coligaçãozinha com uns fanáticos religiosos cristãos está a começar a dar frutos que, como podem calcular, são daqueles frutos azedos e cheios de bichos, de tão podre que estão!
Tal como Portugal tem problemas com os africanos que se aglomeram em bairros de lata sem condições e que vivem de acordo com as suas próprias regras (ou ausência delas), aqui o problema equivalente são o pessoal que vem da Turquia, Marrocos, médio oriente, Suriname e outras antigas colónias. Para além de serem muitos e de um grande número receber assistência monetária do governo, a cereja em cima do bolo é a religião (que é sempre tema de concórdia!), o islamismo, com os seus ideais repressores, homofóbicos e sem lugar nos dias de hoje (e muito menos neste lugar).
A tentativa que estavam a fazer de reinserção social dos estrangeiros (a tal multiculturalização) deu buraco. Custa imenso dinheiro ao governo e não funciona. Vai acabar brevemente. Uma alteração de fundo a esta ideia vem a caminho e espera-se muito mais dos emigrantes, que estes adoptem os costumes e valores holandeses e pschiu! 
As pessoas estão cansadas de pagar imensos impostos para "alimentar" as sanguessugas sociais, de ter de esperar anos a fio por uma casa a preço decente quando "essa gente" tem acesso rápido, de virem para cá tirarem-lhes os empregos... Este tipo de conversa de revolta e já não tão compreensiva está a propagar-se pela classe média holandesa. 
Embora eu seja uma emigrante de categoria (oh yeaaah), com estudos e já house broken, que veio para cá para trabalhar, pagar impostos e tentar fazer parte da sociedade, sinto nas pessoas logo um tom diferente (e não um diferente bom) quando percebem que não sei falar esta língua maravilhosa. Eles não conhecem a minha história e assumem o pior.
Quero que compreendam que eu estou a escrever isto e é o que estou a sentir na pele, mas no fundo eu entendo o que as pessoas estão a viver. Pode parecer descabido, sendo eu uma emigrante, mas quem emigra sabe ao que vai. Quem emigra não pode ir à espera de continuar em "casa". Quem emigra é como uma visita que pede guarida a um amigo disposto a ceder-lhe o sofá. E quem gosta de visitas abusadoras que pensam que a casa é deles e fazem o que querem sem pedir licença e pelo caminho tentam atirar-vos de novo para a idade média??
Tolerância quer-se de parte a parte. Quem vai chular o amigo ao menos que seja bem educado e não dê muito trabalho. E pelo pecador paga o justo e é isso que eu estou a testemunhar nos dias que correm.
A malta está a passar-se! Estavam cheios de medo que o que aconteceu em Londres na semana passada se propagasse para aqui pois sabem que as minorias andam revoltadas. Isto é um barril de pólvora pronto a rebentar. O que vale é este espírito relaxado dos holandeses de tentar agradar ao grego e ao troiano e de não gostarem de tomar uma decisão com implicações radicais... Até aparecer algum Anders Breivik e acenda o rastilho... 
Estou à espera. Vai acontecer.
Só espero nessa altura estar noutro local qualquer, rodeada de gente não tão xenófoba. Será que esse sítio existe nos dias de hoje?? 
I wonder... 


PS. Nem de propósito, o NY Times escreveu um artigo que vos pode dar mais umas luzes sobre o que aqui se passa. 


Religião: a raíz do mal

3 comments:

Anonymous said...

Pois,pois!pai natal não existe!!!!!!!!!não ha bela sem senão!

morbidi said...

Bem, vê lá disso... geralmente os pontos de vista extremistas tomam conta da sociedade quando as coisas não andam bem... vê lá onde te metes...

tsf said...

eu vim enganada! isto na brochura nao era nada assim!!
por mim, assim que puder, dou de frosques!