Monday, June 20, 2011

não gostas, põe à borda do prato

Andamos entretidos com a nossa vida, a tentar fazer dela alguma coisa. Chega a um ponto em que estamos calejados pelo quotidiano e já quase não damos conta do que se passa à nossa volta, zombificados... Algo nos acorda, abrimos bem os olhos, observando de outra perspectiva, como que pairando sobre a nossa própria existência e tiramos conclusões.
Como disse anteriormente, eu tenho-me em grande consideração. Acho que a minha mãe até fez um trabalho mais ou menos, incutindo-me alguns princípios básicos de humanidade e civismo. Tenho algumas falhas, como toda a gente, mas estão bem identificadas, aprendi a viver com elas e sei onde hei-de melhorar e vou tentando, dia-a-dia.
Durante o meu crescimento, sempre fui muito protegida pela minha família, tive uma infância super feliz, vivi sempre num mundo cor-de-rosa, sem maldade. Mesmo o liceu, tão traumatizante para tanta gente, passou por mim sem deixar marca. 

O facto de viver nesta bolha trouxe-me muitos dissabores na idade adulta. Aprendi do pior modo que as pessoas não têm palavra, são mentirosas, mesquinhas, egoístas, invejosas, maldosas. Infelizmente, ainda não tenho defesas ou capacidade de identificar e lidar com essa gente e ainda me deixo enganar muito frequentemente. A minha ingenuidade faz-me fazer figura de parva... Acho que já levei tabefe suficiente. Não quero mais.
A besta fria que há em mim vai voltar. Acabou-se cá a "disposição tábua rasa" pois verdade seja dita, a qualidade dos humanos neste planeta está a decair vertiginosamente. Não era Portugal, nem é a Holanda... É generalizado. Todos os dias me deparo com situações que me agoniam e enojam e não sei reagir adequadamente. Ou já estarei dormente? 
Se já era rancorosa e sem fé na humanidade, hoje estou muito mais. Um dia destes fecho a minha concha ao mundo. 
... estou cada vez mais perto... 

Ah e tal, temos que aceitar cada um como cada qual... mas acho que também há limites e não devemos comer toda a merda que nos cai no prato. *LER O TÍTULO DO POST* => Tenho tudo à borda, prato vazio, mas não faz mal :D

4 comments:

Expressiva said...

Tânia, infelizmente não te conheço, mas vou-te conhecendo pelo blog que o Mário me recomendou.
E gosto de te ler. Faço-o com uma frequência de 2 ou 3 vezes por semana, depende obviamente da frequência com que escreves. Bom, mas leio-te.
Hoje decidi escrever, exactamente por o que li. E porque te percebo muito bem. E porque passei e passo diariamente pelo mesmo que tu. No entanto, optei por fazer um esforço e não me deixar amargurar, que é um risco grande que corremos quando "fechamos a concha ao mundo".
Não te conhecendo, sinto que gosto de ti.
Desejo-vos toda a felicidade do mundo.
Dá um beijinho ao Mário.
Lena Torrão

Sara said...

Gostei muito de ler que te tens em grande consideração. Ainda bem que te deram a infância e a adolescencia necessárias para isso, porque infelizmente nem toda a gente consegue tal coisa e isso é o fundamental. "Se eu não gostar de mim, quem gostará?"
Não te deixes afectar tanto pelas desilusões, pois fazem parte da vida. Não te feches nem te tornes numa "besta fria", embora seja algo que dúvido que consigas mesmo ser. Eu uso um truque, que normalmente não me corre muito mal (embora apanhe sempre algumas desilusões mas nada de muito grave), que é olhar para os pequenos pormenores, aqueles pequenos gestos que pensam que nós nem estamos a reparar. Isso é melhor que o algodão! eheh... E é tão engraçado. Foi assim que vi que uma certa pessoa num sitio onde trabalhei e que não me dava os bons dias nem boas tardes quando passava por mim, não havia de ser assim tão má quanto isso. E até agora, não acho que me tenha enganado. :)

tsf said...

@ Lena
Tambem recebi muito boas referencias de ti. Toda a critica e comentario e' bem recebido!
Este post foi motivado por um chorrilho de desilusioes que se fizeram sentir num curto espaco de tempo e que me fez questionar sobre o latim desperdicado a tentar justificar/salvar a coisa. Nao vale a pena. Eu nunca fui muito dada a pessoas pelo, sei agora, que estava certa! Desde crianca que o sabia :p
Estou a criar calo e a coisa ha-de ir ao sitio.
Obrigado pelo teu testemunho. Havemos de nos conhecer pessoalmente ;)

@Sara
Eu sei que tive um infancia muito previligiada, eu sei. E que ate gosto muito de mim (tirando umas coisitas mas isso nao interessa nada). Por isso me irrita quando as pessoas nao veem o que tem a' frente e cagam e mijam em nos! Eu ca nao gosto... :p
Essa tua sugestao e' muito boa, sim senhor. Mas eu ate faco isso. As pessoas e' que se estao a tornar eximias na arte da dupla face/hipocrisia! E' assustador! Vou dar mais tempo a' fase de observacao, acho que e' um bom principio :)
E essa pessoa estupenda que nao te dava os bons dias ainda estava nessa fase de observacao. ;) valeu a pena ou nao? Muitos beijinhos!

Peco desculpa pela ausencia de acentos e cedilhas mas este teclado e' amaricano ou ingales ou raio q o parta!

Sara said...

Valeu a pena, sim!
O problema da observação no meu caso é que às vezes não dá para acreditar, pessoas que são tão agradáveis à vista e depois vejo pormenores merdosos nelas e custa a crer, mas mais tarde ou mais cedo venho a ter a prova de que eles não enganam... Mas ao menos já não fico muito surpresa. Uma outra coisa que aprendi nos ultmos tempos, na minha fase de extrema sociabilidade que finalmente chegou ao fim (já vi que não tenho vocação e nasci para bicho do mato :D), é que a maioria das pessoas que nos rodeiam não tem grande interesse. Temos é que agarrar nos poucos que interessam e dedicar a eles. Eu agora é que estou bem! Já chega de melgas. Olha, tendo de eescolher, prefiro desilusões com pessoas de que gosto do que ter pessoas que não me dizem nada a melgar-me! Do mal o menos... Beijinhos.

Já me tinha apercebido dessa questão do teu teclado.