Monday, March 15, 2010

ensaio sobre badalhoquice

Li num sítio qualquer, que pode muito bem ter sido o facto de o homem ser um grandessíssimo badalhoco e de não tratar convenientemente o seu pêlo, que se chegou até aqui!

Se ao menos tivéssemos uma língua destas... :P

Os ataques pelas lêndias e piolhos e outros bicharocos transportadores de doenças eram tantos ou tão poucos numa pelagem descuidada, que a mutação que introduziu uma diminuição da quantidade de pêlo trouxe a tão desejada vantagem selectiva (ainda hoje, as gajas preferem tipos que não pareçam o Tony Ramos). Mas pouco pêlo, implicava passar frio, que vai de encontro à descoberta do fogo, que permitiu também cozinhar os alimentos e degradar melhor as proteínas animais e vegetais (e o facto de não ter pêlo tornou o manuseamento do fogo bastante mas seguro para o indivíduo :P), conduziu à necessidade de arranjar outras peles que podiam ser trocadas ou lavadas caso fossem "contaminadas" e aumentou a necessidade de encontrar abrigo. Tudo isso tornou a interacção com o meio exterior muito mais flexível e catapultou os antepassados do Homo sapiens sapiens para o estrelato evolutivo.

Nos dias de hoje, esta questão da limpeza apresenta-se desmesuradamente distorcida! Perdemos uma quantidade industrial de horas na manutenção do nosso corpo, a lavar, a esfregar, a aromatizar, a cortar pelos, cabelos, unhas, a pôr creme para isto e para aquilo, a pintar, a escovar... assim como com a nossa roupa: horas às compras, a pensar o que se vai vestir, a coordenar, a lavar, a passar, a enxugar... ufa, que canseira... 

Estamos ou não a ser meros "puppets" das indústrias de detergentes/cosméticos/roupa etc? Somos os parvos que são bombardeados com campanhas de marketing enganadoras, exploradoras, publicidade a todo o segundo, sem conseguirmos fugir, consumindo alarvemente produtos que não nos fazem falta... 
  
Com um começo tão singelo, acabámos no outro lado do espectro... tornámo-nos demasiado "high maintenance"... Não estou com isto a dizer que gostava de voltar ao pântano mandongo, mas paremos para pensar:  Para quê isto tudo?? Há mesmo necessidade?? Não estaremos a exagerar? Preciso mesmo disto? Não se conseguirá sobreviver com menos psicose da limpeza?? Não há pachorra... nem tempo...

Devem estar a pensar: esta deu em badalhoca! Não, ainda não :P Mas  que ando a questionar muita coisa do dia-a-dia que nem nos apercebemos pois já está tão enraizado no centro nevrálgico, a  aperceber-me da quantidade massiva de anúncios a que somos expostos e as mensagens cada vez mais idiotas para idiotas, isso ando... e que me está a irritar... sim, está.





O que é que um animal tem de fazer para ser um cão? Ser cão. 
O que é que um animal tem de fazer para ser um urso? Ser urso.
O que é que um animal tem de fazer para ser um homem? Ser carpinteiro, canalizador, professor...
Logo tinha de nos calhar este papel de animal superior!
(Dou um rebuçado a quem souber de onde é isto!)


PS. FYI, não perdemos os pêlos nos sovacos e nas partes púbicas porque nessas regiões há muitas glândulas sudoríparas e isso é bom ingrediente para o cocktail de feromonas sexuais. Afinal, a nossa origem imunda ainda está presente, nem que seja apenas nos nossos receptores olfactivos. 

4 comments:

morbidi said...

Isso não é do técnico ???

tsf said...

ping! thanks for playing but the answer is wrong. :P
it could be, though... eheheh superioridade é de facto um sentimento bastante existente on campus...

morbidi said...

Além disso discordo da tua teoria, *estranha*, aqui fica um fresh take no assunto.

http://www.economicexpert.com/a/Aquatic:Ape:Theory.htm

tsf said...

a beleza de ciência é mesmo esta: existem várias teorias, todas em aberto, prontas a serem validadas ou desacreditadas. Neste caso, ainda não há consenso.
Mas a que eu escrevi, é bem gira! :P

ver aqui: http://www.newscientist.com/article/mg20327261.000-why-are-we-the-naked-ape.html?haasFormId=e3a9446c-efb0-42e1-a999-f8680634d0ea&haasPage=0

e aqui: http://rspb.royalsocietypublishing.org/content/270/Suppl_1/S117.full.pdf