Wednesday, March 3, 2010

de battre mon coeur s'est arrété

ou em português "de tanto bater o meu coração parou". Bom título para um filme. 

Afinal ainda não cortei os pulsos. Ainda me vou aguentando por aqui mais uns tempinhos... mas sei que os devo cortar na vertical, ao longo do braço e não de atravessado, que isso é coisa de maricas! :P não, nunca tive tendências suicidas nem acho que as terei. 
Adiante...

Lembro-me deste filme, galardoado com uma data de prémios internacionais, ser anunciado pela Radar enquanto ia no carro a caminho do trabalho. Lembro-me perfeitamente de estar no semáforo da rotunda de Entre Campos quando o ouvi... E já na altura, fascinou-me... uau... que coisa bonita de se dizer...  
Este filme é de 2006 e do mesmo realizador, Jacques Audiard,  que este ano arrebatou os César's nas categorias mais relevantes (filme, realizador, actor, argumento), desta feita com o "Un prophète". Fiquei curiosa, já o tenho, mas não estou com capacidade emocional de ver este filme... ficará para outro dia... Vi antes o outro... e que bela escolha fiz! 

Para além do título magnífico, aborda um tema que me é próximo... bem, mais ou menos... :P Em poucas palavras, o filme é sobre um tipo cujo trabalho implica lidar com a miséria humana, violência física e com pessoas sem escrúpulos. No entanto, a sua herança genética deu-lhe a capacidade de se poder exprimir num teclado de um piano, onde consegue ser feliz. E ele quer ser feliz, mas a podridão que o envolve no mundo mundano torna toda a experiência numa batalha... Eis o filme
O meu mundo não assim tão decadente, é verdade, e não é nessa parte que me identifico. É na outra! ;)


Para quem não sabe, fui um prodígio musical (é o meu blogue, posso dizer o que me apetecer!) quando era jovem. Toquei piano e tocava muito bem. Não tinha aspiração de ser pianista profissional (não era assim tão boa nem achava particular piada a ser exibida como macaquinho treinado), mas tirava satisfação pessoal de todo o processo. Era excitante! Era óptimo! Era orgásmico! 

Já não toco quase nada... com muita pena minha... Quando me sento ao piano apercebo-me que já não me lembro das músicas, os meus dedos perderam a destreza, os pulsos ficam doridos muito depressa e o meu piano está desafinado... E fecho a tampa. Como tudo na vida, requer dedicação, tempo e persistência. Mas como tudo na vida, há alturas em que temos tudo isso para dar... e outras em que não. Gostava de voltar a ter pois, francamente, gostava de voltar a experimentar aquele afluxo de emoções ao meu peito, à minha cara, ao meu sorriso... quando terminava, sentia quase como se tivesse corrido a maratona, de tão extenuada que me sentia.


Há uma cena no filme em que ele está a ouvir uma gravação da mãe a tocar, em que ela está constantemente a interromper porque não se consegue concentrar pois o seu coração está a bater tanto e tão alto... 

Tenho saudades de TOCAR piano. É isso.


...sigh...

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