Tuesday, February 16, 2010

identidade

Está a nevar lá fora (duh! cá dentro era chato). Flocos grandes e a cairem bem devagar... Derretem assim que chegam ao chão (e ao meu relvado - sim, porque eu tenho astroturf nas varandas) não permitindo fazer snow angels, bolas e bonecos de neve. Mas é melhor que chuva! :D
Mas não vamos falar do tempo, que não há coisa mais banal que este tema...
Estava aqui a dar uma volta pelos canais de TV. Tenho cabo, que tem vários canais americanos e ingleses, para além de ter uma promoção em que ofereciam os canais "telecine" durante um ano! sswwweeeeetttt! Nevertheless, gosto sempre de ver o que está a dar nos canais "locais". Não percebo nada, mas tento. E o facto é que a televisão diurna é a mesma merda que em PT! Volta, Julia Pinheiro, estás aperdoada! Muitos talk-shows, muitos (mas muitos) artistas da canção ligeira (muito foleirinhos!!), apontamentos humorísticos que revelam um humor tão ou pior que os Malucos do Riso (o que é muito perturbador), cenários caramelos, senhoras e senhores feios que nem cães e concursos em estúdios pequenos e com decoração muito pouco elaborada. Fiz logo a comparação: Até o Preço Certo (em euros), apresentado pelo barril com olhos, manda mais pinta que estes ranhosos, com um estúdio enorme em que as pessoas podem correr por ali fora à vontade sem esbarrarem em nada! Isso sim, é qualidade!!
Com essa na mente, o meu cérebro fez logo uma pesquisa em todos os discos disponíveis. O curioso do resultado não foi que me lembrei de concursos antiquíssimos (do 123, da Roda da sorte versão 1.0), mas ocorreu-me que, quando se vai a esses concursos, quando o apresentador apresenta o concorrente, a primeira pergunta é "como se chama" e a segunda é 95% das vezes "o que é que faz". Quem está entre-empregos, responde: "eu não faço nada"... Parece mal! Dá ar de parasita! A outra opção "eu estou desempregado" gera logo o sentimento de pena, ai coitadinho, que é igualmente mau. E agora pergunto eu: o que é que isso interessa? É relevante? Desde quando é que o emprego de uma pessoa reflecte o que ela é? Talvez para uns sortudos 1% que realmente estão a trabalhar em algo que escolheram e que gostam e com o qual se identificam. Os restantes comuns dos mortais têm que trabalhar no que é possível, no que aparece, no que paga as contas. Depois ainda há os que, onde eu me incluio, não fazem puto de ideia do que raio é que gostavam de fazer. E que na maioria das vezes, tiraram um curso que nem sequer faziam ideia do que era e se iam gostar....

(apontamento metereológico: Está a nevar com'ó c*****!!!)
Antigamente, quando era jovem, quando saí da faculdade, era super confiante nas minhas capacidades, ambiciosa, queria o mundo, tudo a que tinha direito, tinha uma pica descomunal, capaz de escalar montanhas, pensava que era muita boa e que conseguiria tudo o que quisesse, "Querer é poder" era o meu mantra! Nessa altura (que ingénua) achava que conseguiria satisfazer-me profissionalmente e sentir-me feliz com o meu trabalho. Nessa altura, acharia a pergunta "o que é que faz" deveras importante! Depois levei com a realidade pelas fuças! Baixei logo a crista.
Agora já não quero o mundo todo. Acho que não preciso disso tudo para viver. Tenho expectativas mais moderadas, mais reais. No entanto, não me deixei drenar na totalidade: mantenho o meu mantra e vou continuar a querer mais e melhor para mim! No âmago, e por muita chapadona de luva branca, com e sem tijolo lá dentro, que esta minha vivência me ofereceu, mantive-me +/- fiel a mim mesma e estou orgulhosa! Não "encarneirei"! Não me acomodei! Gosto de mim, porra!

Se eu fosse hoje a um concurso, gostava que o senhor me perguntasse o nome, obviamente que NÃO ia perguntar a idade, e que se deixasse de merdas e me deixasse ganhar o dinheiro que eu ia lá ganhar. Que ia ser TODO!!! :P

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