Friday, February 19, 2010

bola ao poste


No meu mestrado, tive a oportunidade de explorar o maravilhoso mundo das lesmas e das esponjas marinhas. Andei um ano e meio a tentar isolar alguma coisa a partir de uma "sopa" de compostos químicos. Talvez por falta de jeito, ou por os compostos serem facilmente degradáveis, ou por não me ter sido possível dedicar 5 dias consecutivos nas actividades ou talvez uma conjunção de tudo isto, o resultado do meu trabalho com as esponjas marinhas foi um bocado anti-climático. Muitas horas perdidas a olhar para um ecrã a ver uma linha a transformar-se em pico e a colocar o tubinho de ensaio para recolher aquela preciosidade... Não deu em nada! Os compostos desapareciam, degradavam-se, evaporavam-se, não sei! Só sei que não consegui um composto que pudesse identificar e dizer: Desta esponja consegue-se isolar o composto X, que será testado sobre a sua bioactividade. Desse estudo, sairia a informação que o composto X tem acção anti-neoplásica ou anti-bacteriana ou anti-qualquer-coisa-que-aflige-o-homem. E eu tinha tido um papel de alguma importância nessa descoberta! É o objectivo de todos os cientistas! :P Verdade ou mentira?


Esta gente pegou num composto sintetizado por esponjas marinhas, já conhecido e até já produzido sinteticamente (o que é óptimo porque o maior problema de produtos marinhos é a quantidade que se consegue extrair) e verificaram que a tal Sceptrina impedia as células cancerosas de se contraírem, o que é um movimento importante na migração das células.

Fogo.... veio-me logo um sabor a azedo à boca... Andei lá tão perto... :'(

Também é muito verdade que nunca é à primeira que se consegue descobrir algo deste calibre! É quase como ganhar a lotaria! Se eu me tivesse dedicado mais uns aninhos, vasculhar bem esta área de conhecimento, talvez conseguisse alguma coisa... Mas não foi o caso! Eu caí ali de pára-quedas, fiz o trabalho que havia a fazer, e bola para a frente!

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